segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fernando Guarany esgotou o Campo Pequeno há 40 anos: levámos o toureiro brasileiro outra vez à Monumental

O famoso touriero brasileiro esta semana à porta do
Campo Pequeno - onde fez História e foi História há
40 anos
40 anos depois, levámos Fernando Guarany ao mesmo
local onde em Abril de 1977 esteve quase um mês a exigir
uma oportunidade para actuar no Campo Pequeno
Às primeiras horas da manhã de 10 de Abril
de 1977, Domingo de Páscoa, Fernando Guarany
apresentou-se à porta do Campo Pequeno dentro
de um caixão, vestido de toureiro. "Triunfo ou
Morte!"
- lia-se num cartaz. A polícia prendeu-o
e apreendeu o caixão, depois soltou-o e ele
voltou para aqui, onde esteve 20 dias e 20 noites
até ser contratado. A corrida ocorreu a 29 de
Maio, faz hoje 40 anos
Com chuva ou com sol, em Abril de 1977 Guarany não
arredou pé da porta principal do Campo Pequeno
Durante quase um mês, houve veradeiras romarias diárias de pessoas à porta
do Campo Pequeno para ver e apoiar o toureiro brasileiro que ali permanecia
dia e noite, sem arredar pé, trajado de luces, barba por fazer, a exigir uma
oportunidade de tourear na principal praça do país
Público esgotou o Campo Pequeno para ver tourear Guarany, um mês depois
da sua vigília à porta da praça, dia e noite, exigindo um contrato para ali actuar.
Passam hoje 40 anos
Há 40 anos, 29 de Maio de 1977, a equipa completa à porta do Hotel Sheraton,
antes de rumar ao Campo Pequeno. Da esquerda para a direita: Manuel Lopes,
António Gregório, Fernando Guarany, Vidal Patrício e António Martins Batata
António Silva (ao fundo) foi o apoderado "muito adiantado para a época" que
lançou e promoveu à porta do Campo Pequeno as vigílias do "Muleta Negra" e
de Fernando Guarany e, um ano mais tarde, a de Paco Duarte à porta da
Monumental de Madrid. Nesta foto, tirada há cinco anos, Guarany e Paco Duarte
festejaram com António Silva (entretanto falecido) e Miguel Alvarenga o 35º
aniversário da corrida em que esgotaram a praça de toiros de Lisboa
Há 40 anos, a mais importante revista do Brasil, a "Manchete", esteve em Lisboa
para fazer a reportagem da estreia no Campo Pequeno do único toureiro do Brasil
Guarany na Monumental de Badajoz com Fernando dos Santos e Miguel Alvarenga
Na Monumental de Albufeira, há poucos anos, brindando ao empresário e antigo
matador de toiros Fernando dos Santos, seu grande amigo desde a primeira hora
Na praça mexicana de San Miguel de Allende, uma das muitas daquele país onde
se apresentou, acompanhado pelo seu antigo bandarilheiro Álvaro Catoja
Guarany com o então presidente brasileiro Lula da Silva, numa recepção na
Embaixada do Brasil em Lisboa



Passam hoje, 29 de Maio, exactamente 40 anos sobre a histórica tarde em que o diestro brasileiro Fernando Guarany esgotou a lotação da praça de toiros do Campo Pequeno para ali se apresentar, depois de ter estado cerca de um mês, dia e noite, em vigília no portão principal da Monumental (inicialmente dentro de um caixão, garantindo que só dali saía "em triunfo ou morto") a pedir essa oportunidade. Quatro décadas depois, o "Farpas" levou Guarany ao mesmo local da sua célebre vigília, o canto direito da entrada principal da praça de toiros de Lisboa.
Há 40 anos, Fernando Guarany apresentou-se à porta da praça dentro de um caixão, vestido de toureiro, com um cartaz onde afirmava só sair dali “morto ou em triunfo”. Era o dia 10 de Abril de 1977, Domingo de Páscoa, dia em que à tarde havia corrida no Campo Pequeno.
"Eu tinha visto um filme de toiros e toureiros no Brasil e desde esse dia que queria também ser toureiro. Vim para Portugal e as oportunidades não eram muitas, por isso fez o que fiz!", conta.
A polícia compareceu no local e deu-lhe voz de prisão, por não ser permitido estar na praça pública dentro de um caixão. “Foi tudo para a esquadra, apreenderam o caixão, que tinha sido um amigo meu que tinha uma funerária quem me emprestou e depois libertaram-me. Uma hora depois, estava de novo à porta do Campo Pequeno, mas já sem o caixão…”, recorda o toureiro.
Ao fim de vinte dias e vinte noites, a empresa mandou-o subir ao escritório e contratou-o por fim para tourear em Lisboa no dia 29 de Maio.
O toureiro brasileiro actuou nessa célebre tarde mano-a-mano com o então também novilheiro Paco Duarte. Lidaram-se sete toiros da ganadaria de Vicente Caldeira e a cavalo tourearam os saudosos Gustavo Zenkl e José Zuquete. Pegaram os Forcados Amadores da Azambuja, então chefiados pelo famoso forcado Francisco Vassalo.
As barreiras de sombra custavam 200 escudos (um euro...), uma contra-barreira valia 180 escudos e por apenas 60 escudos (30 cêntimos...) podia-se assistir ao espectáculo nas galerias do Campo Pequeno. Os jovens até aos 17 anos tinham direito a entrar por 40 escudos (20 cêntimos...).
Fernando Guarany vestiu-se com pompa e circunstância no Hotel Sheraton e cobrou 1.500 contos, "uma fortuna para a época", recorda o diestro brasileiro, que se pode gabar de ter sido, em 125 anos de história da praça de toiros lisboeta (que este ano se assinalam) um dos toureiros que logrou esgotar a lotação do tauródromo.
"As coisas correram bem e a partir daí ganhei muitos mais contratos, cheguei mesmo a tourear mais vezes no Campo Pequeno", lembra Guarany.
Para entrar em praça, exigiu que fosse hasteada a bandeira brasileira ao lado da portuguesa. E porque a empresa de então não permitiria a entrada no sorteio do seu amigo (matador de toiros e empresário) Fernando dos Santos, Guarany exigiu também que lhe fosse atribuída uma senha para a trincheira. "Sem isso e sem a bandeira, recusava-me a actuar", recorda. A empresa fez-lhe as vontades. "Não tiveram outro remédio...", diz o toureiro.
A empresa, ao tempo liderada pelo filho do grande Manuel dos Santos, Dr. Manuel Jorge Diez dos Santos, fez-lhe a vontade. Fernando dos Santos foi para a trincheira acompanhar o debute do amigo e a bandeira do Brasil foi hasteada na praça lado-a-lado com a portuguesa.
Manuel Lopes, António Gregório e António Martins Batata (os dois últimos, já falecidos) compunham a quadrilha de bandarilheiros de Fernando Guarany. O moço de espadas era o histórico Vidal Patrício, também já falecido, que desempenhava idênticas funções na quadrilha do famoso matador espanhol Paco Camino sempre que este actuava em Portugal.
António Silva, igualmente já falecido e que Guarany recorda como “um homem das Arábias”, tinha sido ele o promotor da vigília do toureiro à porta do Campo Pequeno e fora também ele quem anos antes ali pusera, em semelhante reivindicação para actuar naquela arena o famoso “Muleta Negra”, era o seu apoderado. Um ano mais tarde, haveria de promover também uma aventura semelhante a outro toureiro, Paco Duarte, levando-o a estar vários dias à porta da Monumental de Madrid a pedir uma oportunidade (que acabou por lhe ser dada) para ali tourear.
O sucesso da corrida, passam hoje 40 anos, foi a seguir comemorado num jantar no velho restaurante "Monumental", ao Saldanha. "Reservei a sala e convidei os meus amigos", lembra Fernando Guarany. Na tarde de 29 de Maio de 1977, do Brasil vieram equipas de reportagem da revista "Manchete" e da TV Globo. E o triunfo de Guarany teve destaque em toda a imprensa portuguesa, como, aliás, já tivera a sua permanência à porta da praça de toiros.
Com o cachet da corrida, o toureiro brasileiro comprou um bar, o Bar “Guarany”, que durante alguns anos foi santuário de muitos aficionados e que se situava em São Sebastião da Pedreira, mesmo junto ao quartel.
Quatro décadas depois, o “Farpas” levou Fernando Guarany ao Campo Pequeno e fotografou-o no mesmíssimo canto direito da porta principal onde na Páscoa desse ano de 1977 se colocara vestido de toureiro dentro de um caixão a pedir uma oportunidade para ali tourear.
“Se fosse hoje e se tivesse a mesma ilusão e as mesmas ganas de ser toureiro, faria exactamente o mesmo. Na altura, a minha aventura deu brado e todos os dias havia verdadeiras romarias de gente para me ver na porta do Campo Pequeno. Uns levavam comida, outros iam só para me dar alento, o público foi fantástico. Os jornais e a televisão também deram larga cobertura!”, recorda o toureiro.
“Ainda hoje estou grato e reconhecido a todos os que me apoiaram e tudo o que tenho devo-o aos toiros!”, afirma Fernando Guarany quatro décadas depois da tarde em que o público aficionado esgotou a lotação da praça do Campo Pequeno para o ver actuar.

Fotos D.R.

domingo, 28 de maio de 2017

Famosos no sábado na Moita

O matador peruano Andrés Roca Rey
Luísa Vaz Antunes e Cinha Jardim
O fadista António Pinto Basto com seus filhos
Pi Caldeira Fernandes
Dr. Vasco Lucas, Dr. João Andrade e José Luis Gomes
Manuel Andrade Guerra
O director de corrida, Manuel Gama
António Ventura e João Pedro Bolota
José Palha
Manuela e José Luis Cochicho
Fátima Peseiro
José Peseiro
João Margalho
A direcção da corrida esteve presidida por Manuel Gama (à direita)
Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia, com seu
filho Pedro
João Simões com o matador Roca Rey
Maestro José António Campuzano, apoderado de Roca Rey
O empresário Rafael Vilhais fez a sua estreia na praça da Moita
Vasco Durão
António Manuel Barata Gomes
Filipe Gonçalves
As manas Mil-Homens, Joana e Carolina
José Luis Figueiredo
Mara Pimenta
Nuno Oliveira
O ganadero Armando João Moura e seu filho João
Margarida Oliveira Soares
Calado, ex-jogador do Benfica
David Gomes e Ana Sereno
João Pinto, Raquel Teles e Simone Gomes Ferreira
Mia Simões
Luis Branquinho, antigo cabo dos Forcados da Tertúlia do Montijo
O apresentador televisivo José Figueiras
Luísa Vaz Antunes e Cinha Jardim com o matador Andrés Roca Rey
Foto D.R./Luísa Vaz Antunes/Facebook

Fotos Maria Mil-Homens