quinta-feira, 26 de abril de 2018

Documentário sobre "Finito de Córdoba" este sábado no Campo Pequeno


No próximo sábado,  dia 28 de Abril, o Campo Pequeno abre as portas a todos os aficionados e muito particularmente à juventude.
Um dia pleno de iniciativas, onde para além do treino do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, da final do Concurso de Toureio de Salão “Vem Tourear” e da novilhada de promoção de novos valores, poderão assistir à apresentação do documentário “Finito de Córdoba – Genialidade e Paixão”, produzido por José Cáceres para o Campo Pequeno TV e já disponível no canal.
Realizado na ganadaria de José Luís Cochicho, este documentário mostra toda a genialidade do matador espanhol, para além da sua visão apaixonada e ímpar sobre o mundo dos toiros.
A apresentação do documentário será feita por Luís Filipe Cochicho e irá decorrer no átrio da praça pelas 15 horas e a entrada é gratuita.
Este é mais um motivo para passar o dia de sábado no Campo Pequeno! Traga a família e viva um dia único!


Palomo Linares: um ano de saudade

Palomo Linares morreu há um ano. Em baixo, com Miguel Alvarenga, início dos
anos 80, na Monumental de Santarém


Sebastián Palomo Linares, um dos mais importantes toureiros do último século, morreu há um ano (24 de Abril), após complicações na sequência do que seria aparentemente uma operação pouco problemática ao coração. Tinha 69 anos.
Figura mítica dos anos 60, imagem de irreverência a que fez mesmo questão de fazer jus nos tempos em que formou a célebre parelha da "guerrilha" com o famoso Manuel Benítez "El Cordobés", Palomo entrou na história depois de ter cortado o último rabo até hoje concedido na Monumental de Madrid, a um toiro de Atanásio Fernández em 1972.
Um ano de saudade.

Fotos D.R. e Luis Azevedo/Estúdio Z


Moura Jr. e Forcados de Montemor ganham troféus em Alter do Chão


Praça cheia ontem em Alter do Chão e triunfos de João Moura Jr., que ganhou pelo terceiro ano consecutivo o troféu "D. José de Athayde" para a melhor lide, e dos Forcados Amadores de Montemor, que conquistaram o troféu "Luis Saramago" para a melhor pega pela intervenção de Vasco Ponce no primeiro toiro da tarde.
Na foto, o presidente da Câmara de Alter, Francisco Reis, Carmo Athayde (viúva de D. José de Athayde), João Moura Jr. e o empresário Jorge de Carvalho, que ontem comemorou 25 anos de actividade empresarial e pôs um ponto final na sua louvável carreira Foi homenageado ao início da corrida e brindado depois pelos toureiros e pelos dois grupos de forcados. Momentos carregados de muita emoção e de reconhecimento unânime do público pelo seu brilhante labor ao longo de um quarto de século à frente dos destinos desta praça, que ontem assinalou também os seus cem anos de existência.
João Moura Caetano rubricou duas lides boas, sobretudo a segunda com o "Temperamento", sem contudo "explodir" - mais por falta de empenho dos toiros do que por falta de valor seu. Esteve em nível alto, mas sem matéria prima para atingir o habitual brilhantismo.
Francisco Palha deu ontem mais um ar da sua graça toureira com brega vistosa e ferros de grande emoção e verdade. Esteve bem no seu primeiro toiro e muito bem no segundo.
Pegaram os Forcados de Montemor - Vasco Ponce e João Calisto à primeira e José Maria Vacas de Carvalho à segunda - e os de Alter do Chão - pegas por Filipe Ribeiro à segunda, Diogo Bilé à primeira e Jorge Nagk à primeira.
Lidaram-se toiros colaborantes, mas de pouca transmissão, das ganadarias de Paulo Caetano e Irmãos Moura Caetano.
A corrida foi bem dirigida por Agostinho Borges, que esteve assessorado pelo médico veterinário Dr. José Guerra.
Mais logo não perca a detalhada análise de Miguel Alvarenga e todas as fotos de Emílio de Jesus e Maria João Mil-Homens.

Foto D.R./@João Moura Jr./Facebook




Reaparição de Vitor Ribeiro a 19 de Maio no 59º Concurso de Ganadarias em Évora


Foto Maria Mil-Homens

Manuel Dias Gomes bordou o toureio em Sobral de Monte Agraço


O matador Manuel Dias Gomes (foto) bordou ontem o toureio numa faena artística e templada a um excelente toiro de Falé Flipe no Festival Taurino que se realizou em Sobral de Monte Agraço. Uma faena de sonho e de afirmação de um toureiro de arte que fez parte da nova História do toureio a pé nacional.
Passagem sem história do matador espanhol Pablo Aguado, que substituiu, por lesão, o anunciado David Mora: e destaque também para a faena do promissor novilheiro "Juanito".
Nas lides a cavalo, os destaques maiores foram para Luis Rouxinol Jr. e David Gomes. Presença mais discreta de João Salgueiro da Costa. Boas pegas dos Forcados Amadores de Lisboa.
Mais logo, não perca a reportagem completa de Mónica Mendes.

Foto Mónica Mendes




Ontem, 4ª feira: 5.981 leram o "Farpas"



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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sábado, 28: um dia em cheio, de manhã à noite, no Campo Pequeno!



Cortes, Caetano e Carreiras a 17 de Junho na tradicional corrida da Benedita


Os cavaleiros Francisco Cortes, João Moura Caetano e Tiago Carreiras compõem, juntamente com os grupos de forcados de Évora e do Cartaxo, o cartel da tradicional corrida da Benedita (Alcobaça), a favor dos Bombeiros Voluntários, que terá lugar a 17 de Junho.
Lidam-se toiros da ganadaria de Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva.

Foto Fernando José


Andrés Romero: o triunfador de Sevilha este sábado em Beja


Foto D.R.

Próximo domingo, 29: todos os caminhos vão dar a Estremoz!



Hoje: a "revolução" festeja-se em Sobral e em Alter!



Francisco Cortes domingo em Estremoz: "Tourear para mim é viver!"



"Tourear para mim é viver. Que mais posso eu ambicionar do que viver/tourear? Juntos dos meus, em Estremoz, num cartel ao lado de dois dos maiores de sempre do toureio mundial, os maestros João Moura e António Telles; numa corrida com toiros sérios de duas ganadarias de enorme prestígio, Passanha e José Luis Pereda; com dois grupos de forcados emblemáticos, Montemor e Aposento da Moita; uma corrida promovida pela empresa Verdadeira Festa, que realmente faz jus ao nome nas corridas que organiza; só me resta dar tudo de mim e pedir a Deus que eu e os meus companheiros de todos os dias, os meus cavalos e restante equipa, possamos estar à altura do sonho" - palavras sentidas do cavaleiro Francisco Maldonado Cortes (foto) a poucos dias da corrida de Estremoz (próximo domingo, 29), praça a que regressa depois do triunfo ali obtido no ano passado na noite em que se comemoraram os 55 anos de alternativa de seu pai, Mestre José Maldonado Cortes.
Domingo, todos os caminhos vão dar a Estremoz!

Foto Maria Mil-Homens

Jornalistas estrangeiros visitaram ganadaria de Victorino Martín


A convite da Fundación el Toro de Lidia (FTL), dezoito jornalistas correspondentes das mais prestigiadas agências mundiais visitaram ontem pela primeira vez uma ganadaria, a de Victorino Martin.
Ao longo do dia, jornalistas e fotógrafos correspondentes em Espanha, tiveram a oportunidade de formar uma opinião mais completa da realidade que constitui o mundo do toiro. O ganadero Victorino Martín, presidente da FTL, encarregou-se de mostrar aos jornalistas estrangeiros a riqueza ecológica da finca "Las Tiesas", uma jóia de mais de 1.800 hectares.
Chapu Apaolaza, porta-voz da FTL, explicou o que é a tauromaquia e o que aporta o sector, contrariando a imagem habitualmente transmitida pelos movimentos que contestam o segundo espectáculo cultural de Espanha: a festa de toiros.
Entre os jornalistas que visitaram a ganadaria de Victorino Martín estavam correspondentes das afamadas agências Reuters, France Presse e da chinesa Xinhua.

Foto Agência Taurina/Farpas


6 de Maio: temporada arranca em Vila Franca de Xira



"El Juli", Manzanares e Pepe Moral: heróis de Sevilha são capa da "Aplausos"



De hoje a domingo: XVIII Romaria a Cavalo Moita/Viana do Alentejo



Ontem, 3ª feira: 6.889 leram o "Farpas"


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terça-feira, 24 de abril de 2018

A "revolução" é já amanhã em Alter!



Sábado, 28: um dia em cheio, de manhã à noite, no Campo Pequeno!



Amanhã: grande Festival Taurino em Sobral de Monte Agraço



Campo Pequeno, 17 de Maio: Telles, Hermoso e Caetano na Corrida "Vidas/CM"



Andrés Romero: triunfador de Sevilha este sábado em Beja



Andrés Romero, a nova estrela do rejoneio, que acaba de ser galardoado como rejoneador triunfador da Feira de Sevilha, juntamente com figuras como "El Juli", Manzanares e Manuel Escribano, faz no próximo sábado, dia 28, o arranque da sua campanha em Portugal actuando na corrida da Feira Ovibeja que se realiza em Beja.
Frente a um imponente curro de toiros da ganadaria Ascenção Vaz, Andrés Romero vai actuar ao lado dos cavaleiros lusos Luis Rouxinol, Tito Semedo, Moura Caetano, Miguel Moura e Luis Rouxinol Jr. e dos Forcados Amadores de Beja, que pegam em solitário esta corrida na tarde da despedida do seu cabo José Maria Charaz, que passa o testemunho a Miguel Sampaio.
Esta corrida, em que se homenageará Manuel Castro e Brito, terá início às 17 horas.
Andrés Romero, apoderado pelo espanhol Óscar Polo e o português António Nunes, fará a 9 de Agosto a sua estreia na Catedral do Toureio a Cavalo, a praça do Campo Pequeno, actuando depois na sexta-feira, dia 10, em Tomar e no sábado, dia 11, na Nazaré. Já no próximo dia 13 de Maio, Romero toureia em Salvaterra de Magos, no Concurso de Ganadarias, ao lado de António Telles e Francisco Palha.

Foto Arjona/aplausos.es



António Telles no domingo em Estremoz: "É uma honra estar ao lado do Mestre João Moura na comemoração dos seus 40 anos de alternativa"



"Tenho muito gosto em tourear em Estremoz, é uma honra estar ao lado do Mestre João Moura a comemorar os seus quarenta anos de alternativa 
Também toureia o Kiko Cortes que é da terra e com a sua alegria valoriza a corrida!" - palavras do cavaleiro António Ribeiro Telles, sucintas, mas bem elucidativas das expectativas com que antevê a sua participação no próximo domingo, dia 29, na magnífica corrida de toiros que se realiza em Estremoz.
António Telles reparte cartel com João Moura (no arranque da temporada comemorativa dos seus 40 anos de alternativa) e com Francisco Cortes, o cavaleiro da terra que entra neste cartel por seu mérito próprio. Pegam os forcados de Montemor e do Aposento da Moita e lidam-se toiros das ganadarias Passanha e José Luis Pereda (três de cada).

Foto Emílio de Jesus



Cabos dos 3 grupos de forcados antecipam participação na novilhada deste sábado no Campo Pequeno

Grupo de Forcados Amadores da Moita, comandados por Pedro Raposo
Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, comandado
por Márcio Chapa. Em baixo, Rodolfo Costa, cabo dos Amadores da Arruda
dos Vinhos

Os cabos dos grupos de forcados Amadores da Moita, da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e da Arruda dos Vinhos antecipam a respectiva participação na novilhada deste sábado, no Campo Pequeno

- Que significa para o Grupo a inclusão no cartel da novilhada de Abono no Campo Pequeno?
- Pedro Raposo /Amadores da Moita (PR) - É com um sabor muito especial e com o enorme sentido de responsabilidade que o Grupo Forcados Amadores da Moita, vê a sua inclusão no cartel da Novilhada do Campo Pequeno, visto que já há alguns anos o grupo não pegava em Lisboa.
- Márcio Chapa /Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo (MC) - Para o nosso grupo tem um significado muito especial. É um sonho realizado estar no cartel da novilhada de Abono do Campo Pequeno, porque há mais de 30 anos que o nosso grupo não pegava na praça de toiros mais importante do nosso país que é o Campo Pequeno! Por isso aqui fica a nossa gratidão por estarmos presentes no Abono do Campo Pequeno 2018!
- Rodolfo Costa /Amadores de Arruda dos Vinhos (RC) - É uma grande responsabilidade pegar no Campo Pequeno, mas, ao mesmo tempo, um prazer enorme em representar a nossa terra e dignificar a tradição de pegar toiros, no ano em que comemoramos 10 anos de existência.

- Quais os objectivos do grupo para esta temporada?
PR - 0s objectivos para a temporada são de nos apresentar sempre em bom nível, dignificando assim o nome do Grupo Forcados Amadores da Moita e a figura do forcado.
MC - Os nossos objectivos para esta temporada são sempre grandes: tentar estar presentes no maior número de corridas que nos for possível; honrar sempre a nossa jaqueta e o bom nome da nossa terra! Mas o nosso grande objectivo para este ano era voltar a estarmos presentes numa corrida de toiros no Campo Pequeno!
RC - Queremos fazer uma boa temporada, chegar aos dez espectáculos e fazer boas pegas.

- Como define o momento actual do Grupo?
PR - O actual momento do Grupo Forcados Amadores da Moita é bastante interessante. É um grupo com bastantes jovens o que vem reforçar a sua coesão e a sua continuidade num futuro.
MC - No actual momento, defino o grupo com muita qualidade, jovem e com muito vontade de vencer. Uma família muito unida!
RC - -Temos um misto de juventude e de alguns veteranos que dão garantias para uma temporada em que não tememos os desafios e onde nos comprometemos a honrar e dignificar as jaquetas que envergamos.

Fotos D.R. e Emílio de Jesus

Campo Pequeno distinguido em Espanha pelo "trabalho extraordinário em prol da festa de toiros"



A Comissão Organizadora do ciclo de conferências “Baeza Renacimiento y Toros”, da cidade espanhola de Baeza (Jaen), distinguiu o Campo Pequeno “pelo trabalho extraordinário que vem desenvolvendo em prol da festa de toiros”.
A distinção será entregue ao Director de Actividades Tauromáquicas do Campo Pequeno, Rui Bento, no próximo dia 3 de Maio.
Juntamente com o Campo Pequeno foram distinguidas as empresas de Las Ventas (Madrid), Olivenza (Espanha), Casa de Toreros (México) e Istres (França).
O ciclo de conferências “Baeza Renacimiento y Toros” integra-se num plano de comemorações mais vasto que tem por objectivo divulgar a ligação desta cidade andaluza ao movimento renascentista, o qual inclui uma corrida de toiros a realizar a 5 de Maio, com  a participação do rejoneador Leonardo Hernández e dos matadores de toiros José Maria Manzanres, Alejandro Talavante e Cayetano Rivera Ordoñez.

Foto D.R.


Amanhã: a "revolução" é em Alter do Chão!



Amanhã, dia 25 (feriado): super-Festival em Sobral de Monte Agraço



Próximo sábado: cartel de Figuras na Corrida Ovibeja



"El Juli", Andrés Romero e Manzanares triunfadores da Feira de Sevilha

"El Juli" duplamente premiado: triunfador da Feira de Sevilha e autor da melhor
faena
Andrés Romero, que no próximo sábado toureia em Beja, eleito o melhor
rejoneador da Feira de Sevilha. Manzanares (em baixo), galardoado pela melhor
estocada

Um júri composto por 39 membros e constituído pela Real Maestranza de Caballeria de Sevilhq, acaba de eleger os grandes triunfadores da Feira de Abril, sendo os mais destacados os matadores "El Juli" (galardoado como triunfador do ciclo e como autor da melhor faena), José Maria Manzanares (melhor estocada) e Andrés Romero (melhor rejoneador).
Foram ainda premiados o matador Manuel Escribano (melhor toureio de capote), os bandarilheiros José Chacón (melhor brega) e Curro Javier (melhor par de bandarilhas), o picador Paco María, a ganadaria Garcigrande e o toiro "Orgullito", desta mesma divisa, indultado por "El Juli" há uma semana.

Fotos Arjona/aplausos.es


Ontem, 2ª feira: 9.906 leram o "Farpas"


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segunda-feira, 23 de abril de 2018

João Moura Caetano: "Podem esperar de mim muito empenho e sobretudo verdade, emoção e sentimentos à flor da pele!"

 "Se convidasse uma figura televisiva para um jantar a dois... convidava Simone
de Oliveira. Admiro imenso o sentimento e a arte que esta grande Senhora
transmite em cada interpretação
"
"2017 foi uma temporada de muitos triunfos e onde cimentei ainda mais a minha
forma de tourear. Por isso, são grandes as expectativas para 2018"
Moura Caetano em Madrid: "Hei-de voltar em Espanha às grandes praças, neste
momento optei por centrar mais a minha actividade em Portugal"
"O meu pai é uma grande figura do toureio e uma referência para todos nós. Ainda
vou ter que trabalhar muito para um dia chegar onde ele chegou!"
João Moura Caetano com as três das Mulheres da sua vida: sua mãe Dita Moura
Caetano, sua namorada Joana Rodrigues e sua irmã Maria Moura Caetano
Couceiro, campeã de Dressage. Só faltam as avós, Marília Caetano e Maria
Guiomar Cortes de Moura


Terminou a última temporada, um ano recheado de êxitos, em grande nível na corrida de gala que encerrou o ano em Lisboa. Depois de amanhã, 25 de Abril, inicia a nova campanha na tradicional corrida de Alter do Chão. É de João Moura Caetano que falo - e com quem falo. Vem cheio de confiança e considera que cimentou ainda mais o seu estilo de tourear. Vem tranquilo, com cavalos novos e desejoso de demonstrar o que eles valem. Se não fosse toureiro e não tivesse nascido no campo, gostava de ter sido… treinador de futebol. É um jovem de alma. E de raça. Sabe bem o que quer e por onde vai. Cresceu a ouvir falar de toiros e cavalos. Ser toureiro foi mais ou menos uma coisa do destino. Se já chegou aos calcanhares do pai, o Maestro Paulo Caetano? Diz, com humildade e um sorriso: “Acho que tenho que continuar a trabalhar muito para um dia chegar onde ele chegou”. Vamos ouvir João Moura Caetano.

Entrevista de Miguel Alvarenga

- Depois de ter encerrado de modo brilhante, no Campo Pequeno, a sua temporada de 2017, inicia a nova campanha já esta quarta-feira em Alter do Chão, numa corrida emblemática do calendário taurino, em competição com João Moura Jr. e Francisco Palha e na dupla qualidade (e responsabilidade) de toureiro e ganadeiro. Que expectativas, João?
- As expectativas são as melhores, venho de uma temporada muito importante para mim, na qual acho que consegui cimentar ainda mais o meu estilo de toureio e obter alguns triunfos importantes, isso dá-me confiança para a época que se avizinha. Alter já é uma data habitual no meu calendário, é o terceiro ano consecutivo que eu e o meu primo (João Moura Júnior) toureamos a 25 de Abril, sempre com praça cheia e bons espectáculos, sinto-me preparado para mais um ano poder proporcionar uma boa tarde de toiros.  Como ganadero, é sempre mais complicado, os toiros são sempre uma incógnita, a corrida está bonita e bem apresentada, o resto “é com eles”, só no dia saberemos. Vamos estrear um semental novo, que tem dado bons resultados nas tentas, estou curioso, vamos ver.
- Para além dos craques da quadra, que muitos reconhecem como a melhor da actualidade, que novas estrelas vamos ver este ano nas arenas e nomeadamente já esta quarta-feira em Alter?
- Há três cavalos novos na quadra que podem ser muito importantes; o “Hip Hop”, o “Hidrogénio” e o “Hamlet”. O “Hip Hop” tem ferro da casa e se tiver sorte, será um grande craque num futuro próximo, interpreta um tipo de sorte nova para mim, carregar a sorte até ao limite e abrir o quarteio com muita expressão. O “Hidrogénio”, ferro Paim, faz um toureio de enorme verdade e emoção e o “Hamlet”, também com o ferro da casa, vai-me permitir continuar a executar os ferros de praça a praça, que são a minha imagem de marca. A sua utilização em Alter e em Beja, vai depender do comportamento dos toiros que me toquem em sorte nesses dias.
- Fiz na semana passada a mesma pergunta ao seu primo João Moura Júnior e vou fazê-la também a si: acha que já chegou aos calcanhares de seu pai, o Maestro Paulo Caetano, ou ainda lhe falta alguma caminhada para lá chegar?…
- O meu pai é uma grande figura do toureio e é para atingir esse patamar que trabalho todos os dias, ele é uma referência para todos nós e chegar um dia a ser um exemplo para os que virão, é uma meta que quero alcançar. Apesar de cada caso ser um caso e não haver toureiros iguais, acho que tenho que continuar a trabalhar muito para um dia chegar onde o meu Pai chegou.
- Os novos cavaleiros não levam público às praças como os seus pais levavam?
- Penso que a conjuntura actual, é completamente diferente em vários aspectos. A meu ver, acho que o segredo para que haja mais público nas corridas, seja apostar forte com cartéis de competição nas datas mais tradicionais e carismáticas e não andar a gastar esses trunfos em praças que já se sabe, que à partida, não são favoráveis para meter gente. Nos últimos anos, já se começou a verificar essa mudança e vai dando os seus frutos.
- Tem repartido as suas campanhas entre Portugal e Espanha, mas neste país quase sempre em “praças secundárias”, depois de ter ido várias vezes a Madrid. Regressar a Las Ventas é um sonho?
- Sim, a minha carreira tem sido dividida entre Portugal e Espanha, até mais em Espanha nos meus primeiros anos, pisei várias vezes Madrid, Sevilha e Valência, entre outras. Essas presenças ficarão para sempre marcadas na minha vida, foi uma grande aprendizagem mas nos últimos anos, optei por me focar muito mais em Portugal, é aqui que sinto que o meu tipo de toureio faz mais sentido, não querendo dizer, que um dia não volte a algumas dessas praças, mas neste momento, olho para Espanha mais numa perspectiva de rodar os cavalos mais novos e prepará-los para quando aparecem nas datas importantes de Portugal estarem no máximo. Isso não invalida que dê sempre o meu melhor em cada corrida que faço em Espanha, mas de facto neste momento concreto, o meu objectivo está nas principais praças do nosso país.
- A 17 de Maio volta ao Campo Pequeno e desta vez num cartel de máxima categoria, com António Telles e Pablo Hermoso. Vai para ganhar?
- Vou para triunfar como em todas as outras corridas, acho que o único caminho para chegar ao mais alto do toureio, é ir para ganhar em qualquer praça e com qualquer cartel. É para mim, um grande orgulho estar anunciado ao lado de grandes figuras mundiais numa das corridas “estrela” da temporada, na Catedral mundial do toureio a cavalo.
- E a 10 de Junho volta a competir com Pablo Hermoso e desta vez também o Maestro João Moura, em Reguengos de Monsaraz. Grandes desafios para o arranque da sua temporada… Preparado, João?
- É mais uma grande corrida em perspectiva, sinto-me preparadíssimo e a atravessar o melhor momento da minha carreira, espero que haja sorte e seja mais uma tarde para o recuerdo dos aficionados ao bom toureio.
- Como é o João Moura Caetano fora das arenas? E como são os seus dias em Monforte?
- É difícil descrever-me a mim próprio, mas acho que sou uma pessoa simples, tranquila e completamente apaixonada pelo campo, prefiro o silêncio e a calma deste mundo, com um enorme “vício” que são os galgos. A maior parte dos meus dias, são passados a montar cavalos e a tourear vacas e também nas lides do campo. Sou também um amante das nossas ganadarias e trabalho bastante para tentarmos criar um toiro cada vez melhor. Os tempos livres são passados com a Família e os galgos.
 - É mais Moura ou mais Caetano?…
- Não sei bem, acho que tenho muito das duas partes; tauromaquicamente, acho-me mais “Caetano”, já que aprendi tanto com o meu Pai e ele é sem dúvida o meu maior ídolo e a minha referência; na maneira de ser, dizem os amigos, que sou mais “Moura”, dizem que tenho um feitio parecido com o meu Avô António Moura, eu não sei bem avaliar isso, mas é possível, já que grande parte dos ensinamentos sobre o campo e sobre a caça, foram-me transmitidos por ele e grande parte da minha infância, a acompanhá-lo para todo o lado. Definir-me a mim próprio, não é fácil.
- Vai-me responder, certamente, que o seu pai é o seu maior ídolo no toureio… mas eu pergunto: tem outros?
- Claro que sim. No toureio a cavalo, tenho muitos, mas agora vêm-me à cabeça o Mestre José João Zoio, que só tive o prazer de ver em vídeos, mas que foi uma grande inspiração para mim, também o João Salgueiro é um toureiro que me enche a alma. Sou também um grande amante do toureio a pé e aí, os meus ídolos são o Maestro Curro Romero e o Morante de La Puebla.
- Que estrela televisiva convidava para um jantar a dois?
- Simone de Oliveira. Admiro imenso o sentimento e a arte que esta grande Senhora transmite em cada interpretação.
 - Impôs em mais de dez anos de alternativa um estilo muito próprio e sem imitar ninguém, nem sequer o seu pai. Como interpreta a sua arte, o seu toureio?
- Sou muito transparente nos meus sentimentos dentro da praça, tenho dificuldade em estar a sentir uma coisa e a mostrar outra ao público, isso pode ser considerado um defeito, mas acho que é essa a génese do meu toureio. Toureio é arte e sentimento, é transmitir emoções verdadeiras ao público. Para mim, é muito mais importante a emoção e o sentimento do que a perfeição, o improviso é também base no toureio que eu sinto, levar a faena estudada de casa, é algo que não se aplica a mim, cada tarde é uma tarde e nunca se sabe onde está o êxito ou um fracasso, essa imprevisibilidade dá uma essência especial a cada triunfo
- Quem são as novas figuras do toureio a cavalo? Inclui-se entre os primeiros?
- Sobre isso não me compete a mim pronunciar, quem pode responder a essa pergunta é o público.
 - Se não fosse toureiro…
- Ganadero, sem dúvida. Se por acaso tivesse nascido longe do campo, talvez treinador de futebol (risos).
- Superstições, tem? E fé? Reza antes de entrar na arena?
- Tenho muita Fé e rezo muitas vezes, superstições, também muitas. Não gosto da cor amarela nos dias das corridas, gosto de me vestir em quartos de número ímpar, toureio sempre de calções pretos e uso sempre bandarilhas brancas.
- Sente-se realizado como toureiro ou ainda tem metas a alcançar? Quais?
- Sinto-me feliz como toureiro, realizado ainda não, há muitas coisas por conquistar, penso que nenhum toureiro se dá nunca por satisfeito, é uma luta diária pelos novos objectivos.
- Este ano tem um novo apoderado, Joaquim Pataca, depois de nos últimos anos ter estado unido a João Pedro Bolota. Que mudanças se esperam deste novo apoderamento?
- O João Pedro é um grande amigo e tem sido fundamental na minha carreira e no meu desenvolvimento como toureiro e sei que vai estar sempre ao meu lado. Este ano, vou ter comigo o Joaquim Pataca, uma pessoa cativante que sempre respeitei e admirei no mundo dos toiros, surgiu esta oportunidade e ambos a abraçámos com muita convicção, sendo que as mudanças não vão ser grandes, espero tourear entre as 25 e as 30 corridas e tentar estar em bons cartéis e com ganadarias que possam proporcionar êxito, no fundo é exactamente a mesma estratégia dos últimos anos, espero que haja sorte e seja uma temporada importante.
- Além das corridas de que já falámos, depois de Alter, toureia no sábado em Beja na tradicional Corrida Ovibeja. Que mais novidades para a temporada?
- Depois de Beja, vou dia 5 e 15 de Maio a Espanha, dia 12 a Garvão, dia 17 ao Campo Pequeno, 19 de Maio ao Montijo, no dia 2 Junho a Estremoz e 9 de Junho a Reguengos. É esta a primeira parte da temporada, já existem muito mais datas fechadas, que mais para a frente iremos anunciar.
- Com quem gostava de tourear um mano-a-mano?
- Com o Morante de La Puebla, gostava também de reeditar um mano a mano que fizemos há alguns anos em Monforte, com o José Maria Manzanares, grande figura do toureio e grande amigo da família.
- Há anti-taurinos dentro da Festa?
- Não sei se são anti taurinos, mas pelo menos há maus taurinos que nos prejudicam bastante.
- Lê tudo o que os críticos taurinos escrevem das suas actuações?
- Sim, tento ler tudo, acho que de todas as críticas podemos tirar coisas boas e construtivas, que nos ajudam a ser cada vez melhores.
- Já lhe apeteceu mandar um crítico “à merda”?
- Vivemos numa democracia, cada um tem a sua opinião, temos que respeitar, por muito que discordemos ou achemos injusto. Tento não me preocupar muito com essas coisas, a vida é muito curta para a desperdiçarmos com esse tipo de sentimentos, só me importa ser feliz a tourear.
- O que podem os aficionados esperar este ano de João Moura Caetano?
- Podem esperar muito empenho e sobretudo verdade, emoção e sentimentos à flor da pele.

Fotos Emílio de Jesus, las-ventas.com e D.R.